A festa
Não era sem esforço que os convivas prolongavam a festa além do razoável. Lá fora era o frio e a chuva, e os carros estavam ainda longe para poderem ser alcançados sem dor. A música fora descontinuada e já não se serviam bebidas; a maioria estava já de casaco vestido, apenas aguardando uma aberta para sair, arriscar uma corrida até ao estacionamento. Conversavam sobre o tempo; os estranhos falam muita vez do tempo pensando em si. “Sou o meu próprio castigo”, admitia, vagamente, disciplinando o medo, esgotado que estava o assunto. “A moral deve preceder sempre o hábito”, respondeu o público festivo, gente que não lhe dizia nada. Não existiam substituições, apenas se continuava. “São os costumes”, concordou com a mole que o aborrecia. O coro não respondeu de imediato, uns acenderam cigarros, outros vazaram os copos esquecidos na mão. As horas eram revistas no ecrã do telemóvel e espreitavam a chuva. “O prazer está no ponto de mira”. “É possível que sim”.
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