il miglior fabbro

Ruinhas 9

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Julho 1st, 2008

A festa foi boa. Não me lembro de parte da noite, aquilo foi num andar térreo de uma casa na zona velha da cidade, tudo muito abandonado, decorado com entulho proto-tecnológico e a desmotivação própria da civilização. Disseram-me que em tempos funcionara ali um estúdio, tenho uma vaga ideia, validada pela descoberta de uma wavestation descarnada no meio daquela confusão. Por método, deitei-a sobre o que em tempos teria sido um sofá colonial e cobri os circuitos com uma camilha. Riram-se do esmero; ainda tentei explicar que aquela caixinha sequenciava ondas, mas não impressionei ninguém e o assunto morreu. Um terraço dava para o jardim, dantes construíam as casas assim - entre o bem e o mal - e o jardim não dava para nada. Havia um balcão com bebidas e o equipamento de dj estava sobre o tampo dobrado de uma mesa de jogo. Imaginei que as outras divisões resultassem num quiasma e decidi não explorar. Estas casas antigas têm sempre corredores estreitos e divisões minúsculas, encerrando dimensões verticiladas, um fluxo orgânico de solos areados e imagens de síntese das atmosferas. Lembro-me que, durante uma conversa, tive de impôr a minha educação superior e introduzir pormenores da biografia de Hunter S. Thompson: a prótese, o Mr. Tambourine cantado em coro no funeral, a celebração. Fui derrotado por alguém que exibia numa câmara digital, a fotografia de uma tabuleta esquecida num restaurante de beira de estrada anunciando “nova gerência”. Adiante, a conversa afastou-se para Nava, gente que o conhecia, e eu afastei-me para junto de uma starlet local que trazia a versão negra do vestido branco da Joan Baez (Newport/1963, no concerto à noitinha). Ela desprezava os partiggiani que a cortejavam; misturavam-se frases confundindo os idealismos da pose com o tédio das índoles, uma combinação tão profundamente fastidiosa, que receei a explosão e ruína de todo aquele conjunto. De repente (já devia ser bastante tarde), puseram a tocar o Truth Is Marchin’ In (Albert Ayler). Depois disso não me recordo de mais nada. Talvez tenha regressado a casa. De qualquer forma, hoje acordei no sofá com a televisão ligada e as notícias das perdas do psi 20.

Videa

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Junho 27th, 2008

Johnny Echols: Love’s lead guitarist & occasional vocalist. Rumors
abounded about Johnny & his whereabouts. Some had him living like a
nomad in the desert, others say he served time along with Ken Forssi
at the end of the 60’s for holding up doughnut stands. A more down to
earth account (The Castle) said that in 2002, Johnny gave an interview
(his first for some 25 years) in which he said he is alive and well,
living with the rest of us in suburbia and very much proud of what he
did with Love.

do site de homenagem a Bryan MacLean

Ruinhas 8

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Junho 21st, 2008

Também sei de um rio. E de outros pormenores que nem sonho - sonhos que não acabam - esquemas de forças centrípetas, o organigrama das escolopendras, vastos jardins de líquenes. O calor ainda é suportável, mas não tarda estaremos derrotados em Julho, entre a dilatação do tempo e as visões do asfalto a evaporar. As conversas comezinhas derivam por territórios desconhecidos, quase ideais, quando ideal vai a meio caminho entre o irreal e o social. Somos todos demasiado novos, quando citamos “crise” referimo-nos a um conceito abstracto, amplo, estranho. Perfídia é nome próprio, Lowry é deus e o jogo faz parte da vida. O euro foi uma desgraça, perdemos com o Quaresma no banco, um meio campo incompatível e um defesa esquerdo que, às tantas, nem será o primeiro suplente do lateral direito. O país, depois de 3 semanas condicionado à vitória, cala a desilusão e sente a traição, abandonado por uma entourage plena de virtudes públicas. Adiante, de Alto Cedro para Marcané, prolongo a leitura das biografias de Nick Drake além do razoável, retomei a composição (sem convicção) e, de forma solene, anuncio que colocaram no archive.org uma cópia decente do “The General”, Buster Keaton. É quase tudo; também sei de um rio, um arroio seco no verão.

Dub

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Junho 10th, 2008

Nas janelas dos prédios os cartazes das imobiliárias revezam-se com as bandeiras. Calculo que a proporção seja de uma tabuleta “vende-se” por cada cinco estandartes. Proponho que se trata da poesia da alienação, o dizer telúrico “T2+1 duplex”, misturado com os logótipos estilizados das imobiliárias e os essenciais números de telefone. Antes de terminar a frase percebo que não, que será outra coisa qualquer sem volta.

Tradução

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Junho 8th, 2008

L’ Année dernière à Marienbad

Terá sido o último ano passado em Marienbad (irrepetível) ou ano anterior passado em Marienbad (indefinido). As combinações, sendo finitas, são sobre o “fim”, essa noção de absoluto infinito num universo sem fim (esta frase correu-me especialmente bem). Factualmente, o título decorre de um diálogo (”Não nos encontrámos o ano passado em Marienbad?”) e, seguindo os formalismos da escolástica, a única versão que admito é “O Ano Passado Em Marienbad” - não traduzindo o último. Poderão vir a existir outros anos passados em Marienbad.

Ambient Dub

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Junho 4th, 2008

“O tempo assim e eu faço uma revolução”, escreveram-se grandes letras no início da pop propriamente (ou popiamente) dita. Verão, finalmente, gente na rua, combinações, esplanadas etc, a abençoada açorda de gambas, calor, as actualizações, paz de alma, o jogo às oito menos um quarto. Gosto muito da cidade - sobretudo se vista do meu alpendre - invejosa, insuficiente, inerente. Faço parte desta equipa, juntos ultrapassamos a esperança e a motivação, aquela fase complicada, entre o misticismo e a estupidez, em que apenas se acredita naquilo que se vê. Agora será um “passeinho”, junto com a selecção, até Julho e la plage.

Sem necessidade de título

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Maio 26th, 2008

Uns tiravam boas notas nos testes, os outros experimentavam com o vácuo da camisola, era tudo muito triste, muito fruste, muito parado. Um presente, esse presente, que tinha tanto de noção extra corporal como de cadáver, oscilando entre a anodinia e o torpor, regulado por depressões confortáveis. Prédios de 3 andares, em cada quatro esquinas uma churrascaria e o vulgar conceito de azimute. A luz do conhecimento actual torna essa irrealidade completamente irrelevante - é esse o grande efeito da informação enquanto data, desfazer os dias, cessar as memórias. Lamento pela superfície - apenas isso. De qualquer forma nunca foi glorioso, não fez diferença, é suposto que, todos quantos viviam naquela fiada de prédios, estejam mais ou menos bem. Adiante, a realidade é relevante e a relutância serve para derrotar o real; e a relevância. Existem muitas palavras que se podem repetir, assim, à volta da realidade. Mas, “lamento pela superfície” quase me comove, leitmotif e proposição, celebração da falência que falhou.

Well I’m sorry `bout the weather

Amazon

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Maio 15th, 2008

Uma caixa de ferramentas.
A Partisan Review de 1937 em que é publicado o conto “In Dreams Begin Responsibilities”, Delmore Schwartz.
Um golo do Belletti na final da Champions League.
Uma daquelas molduras para fotografias digitais, por exemplo, a Telefunken digital 8″ Digicadre 8001.
Um poema moderno.
Férias, uma visita de estudo a Tanworth-in-Arden parece-me bem.
Um upgrade.
Que aconteça qualquer coisa de mal ao acordo ortográfico.
Fora isso, wishful thinking.
A master tape.

RSI

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Maio 15th, 2008

As contas de manhã envolvem tempo e espaço. Do género: quando passar por tal sítio ainda tenho que ir a ouvir o “I’ll Keep It with Mine”. Se já estiver a tocar o “Somewhere There’s a Feather”, então é quase certo que chegarei atrasado. Isto tudo para dizer que, de manhã, sou conduzido pela Chelsea Girl (Nico), e, no fundo, para postar qualquer coisa fácil, irrelevante e sem história. Agora, há um verso, muito descontextualizado, que acaba por dar um remate razoável a mais um postal espiritual “The conductor, he’s weary, still stuck on the line.“.
Lembrem-se,

Everybody will help you,
Some people are very kind.

Dylan

Entrementes

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Maio 11th, 2008

E então, a tradução do filme é “Ladrões de Bicicletas” ou “Ladrões de Bicicleta”? Os larápios andam de velocípede, ou roubam as ditas?

Toda a gente vai pelo plural e pelo erro literal do título na língua nativa, existindo inclusa uma extensa bibliografia sobre o assunto. Mas os ladrões seguem de bicicleta, os que ainda não estão apeados, privados da locomoção rápida exigida para um normal desempenho das suas funções. Outrora dispunham de veículos muito motorizados, cilindros e binários, esse género de coisas, a maioria nem sabia pedalar, apenas tinha uma vaga ideia geométrica do dispositvo. Aquilo lá teria propriedades que extraiam fôlego da sinergia biologia barra mecânica, e bastava-lhes essa segurança. Tudo mudou entretanto, os tempos, os motivos e os transportes, também o meio, o meio de transporte e o meio do motivo, logo que, entrementes, os ladrões andam de bicicleta.

Perímetro

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Maio 2nd, 2008

Uma corrente de ar forte empurra-me para fora do prédio. Apenas e só isso, uma ligeira resistência, weltanschaaung, depuração, visão, todas essas coisas. Estou demasiado cansado para conseguir dormir, já ultrapassei o sono, e ouço falar de carros assaltados, da cidade requalificada, de primos afastados em lugares distantes e de restaurantes baratos. Respondo sem perguntas e penso em halos, no zénite, no edifício união e no esquema da dupla narração. Um pormenor hagiográfico associando palavras repetidas e intercepção de frases deixa-me, por breves instantes, atento. Apercebem-se da minha vigilância. Tento falar de uma música mas, às tantas, falta-me a convicção. Explico que é maravilhosa porque os sons se prolongam indefinidamente e vão-se sobrepondo diluídos entre si. Estou em desvantagem, exausto, questionam o meu imaginário, argumentando sobre a sua inadequação. Defendo-me, insisto na discrição, explorando os pormenores técnicos da canção. Quando estou cansado torno-me apenas e só isso, uma ligeira resistência, das geist, depuração, visão, todas essas coisas. Volto a falar na música que quase não tem silêncios, e de como progride formando uma inflorescência poligonal de sons. Mas, às tantas, falta-me a crença. Talvez seja por estar cansado. Talvez esteja apenas a descrever a memória, enleado pelo balanço.

Ruinhas

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Abril 23rd, 2008

Então essas forças? Confesso que já sinto falta das “histórias” com protocelebridades.

Eu já experimentei a crítica ao consumismo nas sociedades ocidentais. O desperdício dos povos orientais também é interessante, mas tenho mais dificuldade em lidar com a matéria. De qualquer forma, o tema ambiental será sempre o grande escapismo, olha, tal e qual o jazz, que não servindo para nada, entretém gente desde mil novecentos e trinta. Há pessoal que prefere escalar montanhas sem oxigénio. Depois é uma questão de acerto, blogs, jazz ou a Torre de Cerredo, conquanto te sintas “livre” e afastes a memória do futuro. Suponho que será uma boa definição para “ansiedade”, falar-se em “memória do futuro”, bem lá no alto da europa, escrevendo posts ambientais com o ipod carregadinho de lester young. Em comunhão, sempre nisso, a sucessão de notas é a antífona, a serra o altar, a escrita o sacramento. Há dias li um verso que previu todo este movimento errante: “i wish, i wish but i wish in vain”. Hoje estou com este esquema das definições, “desilusão” equivale a “desejar em vão”.

Contacto

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Abril 9th, 2008

Eram cinco lojas no mesmo parque de retalhos. Como não tinham clientes, dispensavam fornecedores e funcionavam em circuito fechado, comprando coisas que não precisavam nas superfícies recíprocas. Eram cinco num mesmo leito de cimento, lojas, lisas, em maus lençóis, enrodilhados, num cenário tão cinzento quanto o cimento pode ser arejado. As meninas simpáticas faziam as contas das lojas e almoçavam à vez iogurtes e sopas que traziam de casa; os rapazes, que carregavam itens de um lado para o outro, preferiam o prato do dia no restaurante de comida rápida sem marca. Por vezes, os gerentes trocavam de posição social com a segurança social e falava-se que uma delas sonhava ser hospedeira de bordo e servir de correio. Não era uma ilha porque era uma península, pelo menos fazia parte de algo maior, e estava ligada. Da mesma forma que é vulgar ouvir-se dizer que isto anda tudo ligado (o laptop em standby e o telemóvel no silêncio; o messenger no venho já), portanto, qualquer coisa ligada deixa de ser uma ilha - a própria Gronelândia será afinal uma península enorme com uma passagem de gelo dentro da água. Felizmente ali a estrada era de cimento, no pico do Inverno a geada ainda tornava a condução perigosa, mas nada que não se resolvesse com umas boas jantes. Por volta das sete horas entregavam as chaves aos seguranças e uma empresa de limpeza contratada para o efeito aspirava as areias daquele deserto.

Portishead

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Abril 6th, 2008

Abril e já temos a música do ano: The Rip, Portishead, álbum Third. Para além da letra, do arpejo, da voz, todas esses fenómenos normais nas canções, existe a construção do fim, aqui, não se sabendo como acaba. Poderia tentar discernir entre o efeito da suspensão, a falta de talento para encerrar a música ou, em última análise, o medo de terminar trechos que nos ultrapassam, mas seria inconclusivo. E escusado, a música não finda por estar concluída, assim, não se sabendo como acaba.

Ruinhas

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Abril 4th, 2008

Será assim o verão. Inseguro, opressivo, mal vivido, tal e qual como me explicaram na 4ª feira: “ainda anteontem era inverno”. Ai estas ruinhas. O restaurante mexicano fechou, uma contrariedade só equivalente à omissão do concerto da Colleen no meu programa semanal; nem dá para explicar o desgosto sentido ao ver aquelas portas encerradas. Paciência, é manter a esperança nesta globalização que nos abre novos mundos e restaurantes temáticos.

Geografia

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Abril 1st, 2008

“Normaliza o sinal e a emissão continua”, deve ter sido mais ou menos isto que a Dame pensou, agora até há uns livros para o efeito, para o defeito, para o trejeito, para o enjeito. A confusão que não ia naquela cabeça sem auto-ajuda. Normaliza o sinal e a emissão continua, nua, sem adorno, sem retorno, sem essas coisas todas definidas em “and it booms as cool as sugar free jazz”. Às tantas a Dame já nem pensava no que cantava, circulava no mantra e apenas no tantra, em cena, no tibete hindu e ultramarino. Ava! Ava! Ava! And it’s clear and clean as sugar free jasmim, o dia entrava pelo dia e fazia frio na Velha Delhi submarina. Mesmo sem faculdades e seca de carnes, era só um instantinho para que a Dame terminasse a sua música. Depois, a noite ainda entraria pela noite e sobreviveria o calor, o lardeado, Reiquiavique continental. Por aí a fora, até normalizar o sinal e continuar a emissão. Escrita criativa, escrituras pós-adolescentes, fado corrido no deserto monumental da Dame.

Mais traduções

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Março 30th, 2008

O título brasileiro de “I’m Not There” podia ser “Tou Nem Aí”.

Deadbeat

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Março 26th, 2008

Meus amigos: se estiverem cheios de chuva e frio, à porta de um sítio onde não vos deixam entrar, apenas pronunciem “deadbeat”. Todas as passagens vos serão franqueadas. Não percam tempo com outros argumentos.

Um post simples

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Março 25th, 2008

Durante uma voltinha a pé pelo quarteirão, reparo que abriu um café novo, com decoração minimal e grandes paredes vidradas cheias de quadros. Para fazer lounge conforme leio escrito. Parece-me que não tem televisão, rede wireless e ópio. Seria deserto se não tivesse puffs espalhados, música, horário nocturno e esse estranho conceito de telas sobre vidro. Avanço e meto-me pelo túnel que dá para a pastelaria. Não se vêem casais de namorados, nem as cenas de afecto público sentido, consentido e etc., frequentemente mal resguardadas ali na passagem. As casas vendem-se; elas, apenas pegam no telemóvel em busca de “chamadas não atendidas” da imobiliária; já não mandam mensagens para eles ficarem a pensar. Em estase enquanto pensam numa solução. Encontro umas chaves no chão e pretendo entregá-las na loja em frente. Dizem-me que não, passaram ali os últimos dois dias e será mais fácil, para quem as procurar, encontrá-las caídas. Provavelmente está tudo parado. Lembro-me da conversa do empreiteiro convertido em gestor de lares; felizmente para ele, a sustentação avança. O país vertical preechido pelo decúbito. Murmuro “amanhã por esta hora”, mas digito o código sem obter resposta.

Máquina

Publicado em Uncategorized by pedrolago em Março 19th, 2008

A Virgem Maria estava cansada, tão cansada, cansada de ouvir mexericos, mexericos e lamúrias. Vinham da porta ao lado. (trad. de Rosegarden Funeral Of Sores, John Cale).

Estava com Ela. Sempre estivera do lado d’Ela, mesmo nos momentos mais contrariados, naquela catequese às 6 da tarde, quando a escola acabava às cinco e um quarto e o futebol começava às cinco e dezasseis. Ouvia homilias intermináveis na última das missas de Domingo, quando falhava a da manhã (ainda assim, o páraco era incomparavelmente mais objectivo quando usava o púlpito), ambas postergadas face a uma realidade que lhe parecia natural. Durante a semana estivera sempre com atenção nas aulas, e simplesmente não era possível estar concentrado em tudo, a sua aplicação teria um limite, suponho. Compreendia mal o sofrimento e sofria com esse excesso de zelo. De resto, mantinha-se afastado das acções sinalizadas como distantes, o desrespeito e o desperdício, o amor em vão e a esconjura, a inveja e o pecado. Acabava por ser indiferente, cumpriria as normas independentemente de serem lei, às tantas, as palavras que não ouvia nas tardes de verão haviam-lhe incorporado regras que desconhecia. A educação misturava-se com a consciência, lamentava não saber mais sobre a ciência das pessoas para, com plena propriedade, poder afirmar que fora sempre assim. E os sentimentos misturavam-se com a educação, às tantas era tudo um convívio: sentimentos, educação e consciência, uma mesma noção de ceder não chegando a tanto.